Há uns dias atrás, já passava das 2 da manhã e a única coisa que conseguia fazer era ouvir o tic tac do relógio na mesa de cabeceira, sem conseguir adormecer saltei da cama e fui para a sala procurar um filme na zona de dvds. Logo saltou à vista um filme que comprei recentemente (devido ao seu preço agradável na fnac e às boas críticas que já tinha lido sobre ele), Mar Adentro.
Achei que seria então uma boa altura para o ver, cinema europeu (mais propriamente uma co-produção espanhola, italiana e francesa) seria perfeito para dar sono, pensei eu.
Coloquei-o no leitor, preparei um ninho no sofá (já convencido que poderia adormecer por ali mesmo) e carreguei no play.
Tal como pensava... Cinema europeu.. Mais lento do que o típico americano de blockbusters... Língua estranha para quem vê sempre televisão em inglês... Personagens complexas com relações complicadas... E de repente tudo começou a fazer sentido... Ramón é tetraplégico e anseia por justiça, por alguém que o ajude a preparar a sua própria morte. Quer ter direito a ela, acha que a sua própria vida lhe pertence, e Julia uma advogada de sucesso promete ajudá-lo na barra dos tribunais.
Entre um irmão que não o quer deixar ir, uma cunhada que cuida e sofre em silêncio, um sobrinho que o apoia e um pai silencioso, Ramón busca ansiosamente realizar o seu único desejo e enquanto isso não chega vai voando para fora da sua janela até à praia, só para sentir o vento e a maresia do mar que não vê há demasiado tempo.
Depois surge Rosa, uma vizinha que parece vir apenas para complicar um pouco mais uma história que por si só não é fácil, vem também ela opinar, convencer, chorar... bem ao ritmo de um filme europeu, mas a verdade é que comove, todos eles sabem o que dizer e quando dizer e deixam-nos divididos sobre o que realmente é certo.
Eu até já possuía uma posição bem definida relativamente à eutanásia, porém este filme pôs-me a pensar e admito que durante o seu decorrer as minhas bases abanaram. Os vários lados são expostos a cru e fazem-nos perceber que afinal o mundo é bem mais complexo do que os blockbusters americanos fazem crer, e o cinema europeu está bem mais perto da realidade.
Admito que acabei o filme com o pijama encharcado e nem sou de me emocionar com ficção, mas desde a temática até às personagens tudo foi demasiado bem construido.
O filme é simples e complexo, cru e belo e garanto que mexe com as bases morais de qualquer um. Admito contudo que no final a minha opinião se manteve igual, acho que cada um deve ter mais direitos sobre a única coisa que é realmente sua, a sua própria vida, e acho que um referendo sobre a eutanásia deveria ser feito no nosso país.
Classificação:
Achei que seria então uma boa altura para o ver, cinema europeu (mais propriamente uma co-produção espanhola, italiana e francesa) seria perfeito para dar sono, pensei eu.
Coloquei-o no leitor, preparei um ninho no sofá (já convencido que poderia adormecer por ali mesmo) e carreguei no play.
Tal como pensava... Cinema europeu.. Mais lento do que o típico americano de blockbusters... Língua estranha para quem vê sempre televisão em inglês... Personagens complexas com relações complicadas... E de repente tudo começou a fazer sentido... Ramón é tetraplégico e anseia por justiça, por alguém que o ajude a preparar a sua própria morte. Quer ter direito a ela, acha que a sua própria vida lhe pertence, e Julia uma advogada de sucesso promete ajudá-lo na barra dos tribunais.
Entre um irmão que não o quer deixar ir, uma cunhada que cuida e sofre em silêncio, um sobrinho que o apoia e um pai silencioso, Ramón busca ansiosamente realizar o seu único desejo e enquanto isso não chega vai voando para fora da sua janela até à praia, só para sentir o vento e a maresia do mar que não vê há demasiado tempo.
Depois surge Rosa, uma vizinha que parece vir apenas para complicar um pouco mais uma história que por si só não é fácil, vem também ela opinar, convencer, chorar... bem ao ritmo de um filme europeu, mas a verdade é que comove, todos eles sabem o que dizer e quando dizer e deixam-nos divididos sobre o que realmente é certo.
Eu até já possuía uma posição bem definida relativamente à eutanásia, porém este filme pôs-me a pensar e admito que durante o seu decorrer as minhas bases abanaram. Os vários lados são expostos a cru e fazem-nos perceber que afinal o mundo é bem mais complexo do que os blockbusters americanos fazem crer, e o cinema europeu está bem mais perto da realidade.
Admito que acabei o filme com o pijama encharcado e nem sou de me emocionar com ficção, mas desde a temática até às personagens tudo foi demasiado bem construido.
O filme é simples e complexo, cru e belo e garanto que mexe com as bases morais de qualquer um. Admito contudo que no final a minha opinião se manteve igual, acho que cada um deve ter mais direitos sobre a única coisa que é realmente sua, a sua própria vida, e acho que um referendo sobre a eutanásia deveria ser feito no nosso país.
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